por Dani Matielo
Quais os limites entre lixo e arte? Será que estamos chamando de lixo algo que ainda tem muito a oferecer? A reflexão é tema da Exposição Cultura Mestiça, aberta a partir de 29 de abril de 2011, no Serralheria Espaço Cultural, em São Paulo. Idealizada pelo coletivo Lixo Eletrônico, traz obras dos artistas Glauco Paiva e Hernani Dimantas, reunindo trabalhos inéditos que conversam com as mais diversas faces da cultura digital.
Trabalhando com as peças de celulares e computadores descartados, seja como matéria-prima real e palpável, com seus correspondentes virtualizados ou simplesmente como parte do imaginário coletivo, os artistas apontam para a cultura do remix, oferecendo novas recombinações de usos e significados.
Glauco e Hernani transformam o lixo eletrônico num emaranhado de conexões com a dimensão libertária que a cultura digital tem patrocinado. Através de robôs com formas e funcionalidades inesperadas, gravuras que utilizam impressoras digitais de última geração e pinturas que misturam sucata, impressões de alta resolução e placas metálicas de lixo tecnológico como suporte, os artistas exploram as mais variadas técnicas para oferecer às obras a expressão da recombinação de materiais e intenções, emprestando significados dos materiais e seus usos originais. | mais >