Reflexão: Avalanche de descarte será maior que a produção

Quando se diz que o descarte de determinado produto aumentou logo se atrela a um crescimento proporcional da produção. Entretanto, a relação entre produção e descarte de eletrônicos é mais complexa que a proporcionalidade direta.

Explico: Os eletrônicos são raramente descartados quando quebram ou são substituídos por outro mais novo. De uma maneira geral, são estocados ou reutilizados das mais diversas formas.

Podemos prever alguns saltos no volume de eletrônicos descartados: a proibição da União Européia de comercializar  de lâmpadas incandescentes irá irá aumentar exponencialmente o descarte destas, assim como a chegada do Iphone na China provocará uma avanlanche de aparelhos celulares despejados, aparentemente obsoletos ,e o programa de substituição de geladeiras do Governo Federal, que irá aumentar a quantidade de geladeiras velhas nos lixos.

Podemos pensar também que a difusão de discos digitais (dvds, blue-rays) e de TVs de tela fina (lcd, plasma, oled, led) alavancarão, ao longo do tempo, o descarte dos já-com-aparência-de-museu vídeo-cassetes, fitas cassetes, monitores e tvs de tubo (CRTś).

O que isso significa? Que a logística reversa de eletro-eletrônicos vai muito além do retorno de produtos fabricados agora, há de se levar em conta as toneladas de equipamentos já consumidos, obsoletos, queimados, quebrados e estocados - que serão descartados em algum momento específico, e não continuamente, como a produção. É um enorme desafio que está longe de ter uma resposta eficiente.

O ciclo dos eletro-eletrônicos precisa ser fechado, e há mil oportunidades de ação nessa área. É isso ou é isso. Que outros produtos contem tantas possibilidades de inclusão social e digital além de profissionalização que os equipamentos informáticos? Que outros produtos do cotidiano contem tanto ouro quanto os celulares? Que outros produtos contem tanto chumbo quanto os tubos televisivos? Que outros produtos domésticos são tão poluentes e tóxicos?

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