Arranjos produtivos locais e sustentabilidade

Depois de três semanas sem postar, estou em dívida com os leitores do Lixo Eletrônico. Mas a ausência aconteceu por um motivo justo: estava em Copenhague para o lançamento de uma competição de blogueiros sobre mudanças climáticas por conta da Conferência da ONU sobre o clima, a COP15.

Foram três dias de muita atividade na capital dinamarquesa, com palestras e uma visita à ecovila de Dysselkilde. Numa percepção mais alargada, podemos dizer que o tema dos resíduos eletrônicos forma um bom casamento com a discussão sobre o aquecimento global e a interferência humana no ambiente.

É possível traçar alguns paralelos entre a sustentabilidade verificada na ecovila e uma maneira inteligente de lidar com o descarte tecnológico. Em Dysselkilde vivem 170 pessoas e 70% dos adultos trabalham ou obtém seu sustento no local. Ou seja, arranjos produtivos locais são imprescindíveis para uma cadeia produtiva mais sustentavel.

O segundo aspecto refere-se à circularidade dos recursos usados na produção de qualquer bem de consumo. Os moradores da vila usam somente a água da chuva para lavar roupas. Após a lavagem, a água é tratada sem aditivos químicos lá mesmo, dispensando a rede de esgoto da região metropolitana de Copenhague. O lixo eletrônico deveria ser tratado num esquema análogo. As rotinas de produção e reciclagem devem estar geograficamente próximas, para diminuir o desperdício e o descarte indevido.

Por fim, os 3 R: recicle, reutilize e reduza. Seu celular com câmera pode servir para oficina de vídeo em escolas públicas. Se até uma vila com 170 moradores tem um brechó, onde as pessoas deixam os objetos que não utilizam mais, por que não reciclar celulares, filmadoras e carregadores em bom estado? Principalmente quando o mundo chega à alarmante marca de 5 bilhões de celulares - quase um aparelho para cada habitante do planeta...   

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